O Google acaba de anunciar o Playground, uma plataforma para criar jogos descrevendo o que você quer. Duas semanas antes, a Meta apresentou o Horizon Create e o Horizon Studio, com uma ambição semelhante: ajudar as pessoas a transformar ideias em jogos que podem ser jogados usando IA.
Duas das maiores empresas de tecnologia do mundo estão apostando em um futuro no qual muito mais pessoas poderão criar jogos. Para as crianças que crescem com essas ferramentas, construir seu próprio mundo interativo está se tornando uma ambição muito mais acessível.
Como pai, costumo pensar em como serão as coisas daqui a dez ou quinze anos. Como serão as indústrias criativas e o mundo profissional? Quais habilidades serão essenciais e quais terão ficado obsoletas? Vendo onde já estamos em 2026, quero que meu filho cresça à vontade para ter uma ideia, explicar como ela deve funcionar e usar a tecnologia para lhe dar vida. Desenvolver esses hábitos desde agora é uma das grandes razões pelas quais estou criando o Makerplay.
As possibilidades que o Google Playground e o Meta Horizon abrem
O Google Playground permite descrever um jogo, experimentá-lo e pedir alterações nas regras, nos personagens ou no ambiente. Os jogos rodam no navegador e podem ser compartilhados. O Google também anunciou uma integração planejada com o Unity Spark, oferecendo um caminho para experiências mais sofisticadas.
A Meta aborda a criação por meio de duas ferramentas conectadas. O Horizon Create permite dar instruções em um aplicativo móvel. O Horizon Studio acrescenta edição visual no navegador, para que os criadores organizem cenas e ajustem os detalhes diretamente. A Meta também planeja distribuir os jogos pelo Facebook, Instagram e Horizon.
O que me entusiasma é o quanto isso amplia o grupo de pessoas que podem participar. Alguém com uma ideia pode começar a construí-la, vê-la tomar forma e continuar desenvolvendo. Um projeto que antes parecia fora de alcance se torna algo que a pessoa pode realmente tentar.
Para uma criança com a imaginação cheia de personagens, mundos e regras, é um convite maravilhoso.
As ideias de jogos viram decisões criativas
Uma criança pode ter opiniões muito fortes sobre um jogo. O chefão é injusto. Os carros são lentos demais. Deveria haver uma passagem secreta atrás daquela cachoeira.
Dê a ela a chance de criar sua própria versão, e essas opiniões se tornam decisões de design.
Imagine uma criança criando um jogo sobre uma raposa que rouba frutas de um fazendeiro rabugento. Ela quer que o fazendeiro persiga a raposa. Parece simples.
Só que o fazendeiro sempre pega a raposa imediatamente.
A raposa deveria correr mais rápido? O fazendeiro deveria parar para recuperar o fôlego? A raposa poderia se esconder em algum lugar?
Então a criança acrescenta arbustos onde a raposa pode se esconder. Um amigo experimenta e vence o jogo passando de um arbusto para outro. Tecnicamente, os esconderijos funcionam. Mas agora o jogo ficou chato.
A criança dá então à raposa um motivo para sair: coletar cinco maçãs antes que o fazendeiro feche o portão.
Essa pequena sequência envolve uma quantidade surpreendente de reflexão. A criança identificou um problema, considerou possíveis soluções, observou alguém usando sua criação e revisou o design. Também descobriu que uma funcionalidade pode fazer exatamente o que foi pedido e ainda assim ser uma má ideia.
Quem já desenvolveu software vai reconhecer essa última parte.
O que as crianças podem praticar
Essa é a parte da criação atual com ajuda de IA que mais me interessa. O trabalho deixou de se concentrar na compreensão de uma sintaxe de programação complexa e passou a envolver discernimento e criatividade em um nível mais amplo.
Uma instrução vaga como “deixe o fazendeiro mais inteligente” não gera um resultado de qualidade. Decidir que ele deve verificar o último lugar onde viu a raposa é mais preciso. A criança precisa explicar uma intenção com clareza suficiente para que ela possa ser implementada e testada.
Ela também precisa pensar em como as decisões afetam umas às outras. Movimentos mais rápidos mudam a perseguição. Mais esconderijos mudam a dificuldade. Um cronômetro muda o quanto o jogador se arrisca.
Há também o discernimento necessário para usar IA. A ferramenta pode entender mal um pedido, introduzir um bug ou produzir algo que parece impressionante, mas não funciona bem na hora de jogar. A criança precisa sentir que pode questionar o resultado. “Não foi isso que eu quis dizer” pode ser o começo de uma investigação útil.
Comunicar com clareza, raciocinar com lógica, testar e responder aos comentários: são coisas que vale a pena praticar. Os jogos dão às crianças um motivo imediato para se interessar por elas.
É claro que nada disso acontece automaticamente só porque um aplicativo tem IA. Uma criança que gera dez jogos e mal olha para eles vive uma experiência diferente de outra que continua melhorando um jogo porque quer que um amigo se divirta.
A experiência que construímos em torno da tecnologia importa.
Por que construímos o Makerplay em torno das decisões da criança
O Makerplay é a nossa forma de tornar esse processo criativo acessível às crianças.
O quadro do jogo dá um lugar para as ideias delas. Personagens, objetos e regras viram cartões legíveis que podem ser consultados novamente. O coach ajuda a criança a definir o que quer que aconteça, e o gerador transforma essas instruções em um jogo que ela pode jogar.
O objetivo dessa estrutura é ajudar a criança a acompanhar o próprio design. Se a perseguição precisa melhorar, ela tem uma parte específica do jogo à qual voltar. Pode descrever uma mudança, experimentar outra versão e avaliar o resultado.
Também nos preocupamos com o ambiente dessa atividade: contas gerenciadas pelos pais, sem publicidade e sem chat entre usuários. Os pais devem conseguir entender o que seu filho está fazendo e por que a experiência vale o tempo dedicado a ela.
Já escrevi sobre o jogo que fiz com meu filho e a empolgação dele para mostrá-lo à turma. A sensação de ter criado algo que outras pessoas querem experimentar é uma das grandes razões pelas quais o Makerplay existe.
Os anúncios do Google e da Meta me deixam mais confiante de que a criação de jogos acessível tem futuro. Nosso foco é ajudar as crianças a encontrar seu lugar nele, com ferramentas e orientação pensadas para seus primeiros passos.
Dê um lugar à próxima ideia deles
O Makerplay foi pensado para se parecer mais com uma plataforma de jogos do que com dever de casa. Queremos que as crianças aprendam enquanto criam algo incrivelmente divertido.
Comece pelas ideias de jogos delas.
Pergunte o que o jogador está tentando fazer e o que torna isso difícil. Quando houver um jogo para experimentar, joguem juntos. Deixe seu filho observar onde você fica confuso, o que você acha divertido e em que momento desiste. Depois, deixe que ele escolha algo para mudar.
Se você é professor, nossa atividade de criação de jogos em sala de aula oferece aos alunos uma forma de fazer isso com os colegas e um público para suas criações.
Não podemos saber quais plataformas as crianças vão usar daqui a dez anos. Mas podemos dar a elas oportunidades de praticar como ter uma ideia, tomar decisões e levar adiante algo que lhes importa.
O interesse delas por jogos é um ótimo ponto de partida.
Ajude seu filho a criar o primeiro jogo com o Makerplay.
Disponibilidade em 8 de outubro de 2026: o Google Playground está disponível nos Estados Unidos para adultos a partir de 18 anos, com acesso à criação sendo liberado em etapas. O Meta Horizon Create e o Horizon Studio estão em acesso antecipado.